domingo, 26 de abril de 2015

Capítulo 2

— Algo perturba a sua cabeça — afirmou ele.
— Sim — assentiu ela —, queria falar com você sobre uma decisão que tomei.
— Comigo? Por que comigo?
— Porque você é meu amigo mais antigo, e provavelmente me conhece melhor que ninguém. Ainda mais, preciso de uma opinião sincera.
— Muito bem, de que se trata?
— Estou pensando em ter um filho.
Aquelas palavras bateram no cérebro de Zac como se tratasse de uma parede. Sacudiu a cabeça, tratando de dar-lhes sentido, mas foi inútil.
— Não sabia que... Que estava saindo com alguém — comentou Zac sem a olhar nos olhos.
— Não estou saindo com ninguém.
Graças a Deus, pensou Zac de imediato, involuntariamente, sentindo um imenso alívio que associou simplesmente a um instinto de proteção para ela. Tinha-lhe um grande afeto. Tinha-a amado louca e inutilmente, durante anos, e tinha sofrido uma imensidão quando Vanessa começou a sair com outro. Mas tinha sabido dominar sua abstenção e casar-se com uma mulher maravilhosa, Taylor. Vanessa e ela tinham ficado amigas e nada mais. Taylor costumava assistir aos almoços mensais, dos velhos tempos. Era natural que sentisse afeto por Vanessa, fazia parte de seu passado.
— Zachary! Você está bem? — perguntou Vanessa ao vê-lo calado —. Não pretendia assustá-lo.
— E se não sai com ninguém, como é que... pensa ter um filho?
— Para isso servem os bancos de esperma.
— Os bancos de esperma? — repetiu Zac incrédulo.
— Sim, guardam esperma congelado — explicou Vanessa ruborizando-se, sem olhá-lo nos olhos —. De fato, fiz já uma série de teste de fertilidade, e me recomendaram vitaminas e alguma outra coisa. Supõe-se que sou uma candidata perfeita para a gravidez. O único que tenho que fazer é eleger um doador e iniciar o procedimento.
— O procedimento?
— De inseminação artificial. Selecionei já alguns candidatos, mas queria conhecer sua opinião — acrescentou Vanessa pondo uma pasta em cima da mesa e a estendendo para ele.
— Diga-me que não está falando sério — Vanessa calou —. Demônios! — exclamou Zac passando a mão pelos cabelos —. Fala sério, V... Por que? Por que assim? E por que agora, precisamente?
— Vou de completar vinte e oito anos em dezembro, Zac — afirmou Vanessa com calma —. Quero ter família. Filhos — corrigiu-se —. Quero ser mãe enquanto seja jovem ainda, e tenha energia para criá-los e os desfrutar.
Entre linhas, caladamente, surgiu em ambos à lembrança da desgraçada e solitária infância de Vanessa. Zac recordava seus sufocantes avôs, sempre censurando, incapazes de perdoar a sua filha por ter ficado grávida quando solteira. E, quanto à mãe de Vanessa... Bom, o melhor que tinha comentado a respeito dela a mãe de Zac, que nunca tinha falado mal de ninguém, era que "não teria estado a mais que mostrasse um pouco de carinho por sua filha".
— Vinte e oito anos não é tanto — argumentou Zac —. As mulheres agora têm filhos com quarenta. Por que não espera um pouco mais? Pode ser que mude de opinião.
— Não pedi a sua opinião para que me critique — contestou Vanessa com dureza —. A decisão está tomada. Só queria saber o que pensava sobre a escolha de doador, mas esquece — acrescentou retirando a pasta, que ele agarrou imediatamente.
— Espera, quero dar uma olhada — disse Zac buscando argumentos para convencê-la de que era uma loucura, sentindo repugnância ante a ideia de que Vanessa, sua Vanessa, fosse a um banco de esperma. Depois, abrindo a pasta, leu por em cima —. Aqui não há muita informação.
— Bom, são relatórios preliminares. Se gostar de algum candidato, não tenho mais que pedir informação detalhada da pessoa em questão. O relatório é tanto a nível pessoal como físico. Família, lucros acadêmicos, esse tipo de coisas.
— E quem proporciona esta informação?
— O relatório é feito depois de uma avaliação médica e um teste de personalidade, mas a maior parte dos dados proporciona-os o doador.
— E comprova alguém que o que dizem é verdade?
— Bom, não sei, mas, por que iam mentir?
— Não sei, mas supor que essa informação é verdadeira me parece... Não é muito arriscado? Li o caso de um tipo que sabia que tinha um problema genético hereditário, um defeito do coração pouco frequente que produz a morte, e não o mencionou em sua declaração. Depois se sentiu culpado e consultou um assessor, mas era tarde. Seu esperma tinha sido utilizado em vãos casos. Armou-se uma situação complicada.
— Bom, mas esse será um caso isolado, não lhe parece?
— Sim, mas a decisão é irreversível — insistiu Zac com impaciência —. Que aconteceria se o doador esquecesse de comentar que há casos de diabetes em sua família, ou de esquizofrenia, ou de qualquer outra doença genética?
— Os doadores são examinados antes de aceitar seu esperma — contestou Vanessa —. É feito um teste físico e outro genético. Tenho relatórios sobre isso.
— Os médicos não podem comprovar tudo — assinalou Zac —. Ainda mais, como sabem se esses homens dizem a verdade?
— Não... Não sei, duvido que saibam — contestou Vanessa perplexa —. Supõe-se que respondem corretamente a todas as perguntas.
— E talvez seja assim — continuou Zac —. Seguro que em noventa e nove por cento dos casos esses homens dizem a verdade. Bom, pode ser que todos, inclusive. Mas deve assumir a possibilidade de que mintam, para seu próprio bem.
— Maldito seja, Zachary! — suspirou Vanessa —. Deveria ter imaginado que falar com você só iria me confundir mais.
— Obrigado.
— Não era um elogio — sorriu Vanessa guardando a pasta na bolsa, preocupada —. Pensava em fazer a inseminação em seguida, quando ovular, mas agora vou ter que meditar mais.
— Bom.
O resto do almoço decorreu sem incidentes.
Vanessa tinha que substituir uma de suas empregadas, assim tinha pressa.
Ao despedir-se e beijá-la na bochecha a fragrância de Vanessa invadiu Zac inesperadamente. Esteve a ponto de estreitá-la em seus braços, mas reprimiu-se a tempo. Vanessa, inconsciente por completo de todas essas emoções, deu um passo atrás e pôs um dedo em seu peito: — Recorda, no mês que vem à mesma hora, no mesmo lugar.
Zac despediu-se e ficou olhando-a, enquanto Vanessa caminhava por Arlington Street. Finalmente deu a volta e foi em direção ao escritório, em State Street, no distrito financeiro.
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Oiii!!!
Esse Zac não tem jeito neh!? hahaha
Fez de tudo pra Vanessa rever sua escolha de ter um filho por inseminação 
Ele devia logo se abrir e falar dos sentimentos que sente por ela
assim tudo se resolveria!! eu acho hahaha
Comentem ai...
Silvia apenas esqueci de trocar a cor dos olhos dela... Mas já mudei!! Obrigada pela observação hahaha imagino q seja difícil imaginar a Vanessa com outra cor de olho!!
Eu mesma não consigo!! ;)
Obrigada pelos comentários meninas!!!
Beijos e até qualquer hora!!

4 comentários:

  1. eita Zac!!! vc é foda mesmo,ele é apaixonadinho com ela...posta mais..to adorando bjs

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  2. que ideia mais louca da Vanessa
    e o Zac?!rsrs...vai ter que se candidatar a papai
    adorei o capítulo ♥♥♥
    posta mais,kisses

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  3. Ai mds coitada da Nessa ,ficou toda confusa!Ozac tem que falar logo o que sente,que isso !Posta logo bjs bjs!

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  4. Adorei o capitulo
    Adorei essa Amizade dos dois

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