domingo, 3 de maio de 2015

Capítulo 10

— Me dizem isso sempre. Precisamos de bebidas — acrescentou Zac dirigindo-se à cozinha, para voltar em seguida —. E bem, quanto tempo tem que esperar agora para saber se funcionou?
— Uns dez dias, mais ou menos. Meu nível de Beta está subindo, mas ainda é cedo para saber.
Zac só assentiu, mas Vanessa observou o brilho e seus olhos. Estava tão impaciente como ela, compreendeu.
— Quer ir a Chinatown este fim de semana? Celebram o Ano Novo chinês.
— Soa divertido, sempre quis ir ver.
— Nunca foi? Vai se encantar — predisse Zac —, Há um desfile, danças com dragões e leões, fogos artificiais. Podemos jantar em Nova Xangai.
— Bem, ouvi dizer que é um restaurante fabuloso.
— E é Taylor adorava. Sempre pedia cordeiro com cebolinhas.
Taylor. Outra vez. Era deslealdade para ela, desejar que seu nome não se mencionasse constantemente na conversa? Perguntou-se Vanessa. Sim, provavelmente. Desleal e egoísta. Mas apesar de tudo... Zac e ela iam casar, ela seria sua mulher. Continuaria ele falando de Taylor, então?
— Bem, ótimo. O colocarei em minha agenda.
A semana passou rapidamente. Antes que Vanessa desse conta, tinha chegado o sábado. Vanessa tirava as luvas do bolso do abrigo quando bateram na porta.
— Por que você não abre? Eu lhe dei uma chave, recorda?
— Sim — encolheu-se de ombros Zac —. É que me pareceu um pouco... presunçoso por minha parte, entrar assim.
— Que consideração! — exclamou Vanessa dando-lhe golpezinhos na bochecha —. Venha quando quiser, é livre para o fazer quando desejar.
Zac tomou-a pelo cotovelo e colocou a mão dela contra sua bochecha, antes que ela pudesse a deixar cair.
— Quando quiser? — perguntou com um olhar surpreendentemente íntimo, sedutor.
Vanessa recordou de imediato às palavras que ele tinha dito na noite em que lhe propôs casamento. "Paixão prometo que terá". Aclarou a garganta, sentindo um estremecimento, e contestou, tratando de mostrar indiferença:
— Claro, um amigo sempre é bem-vindo.
Mas a resposta morna de Vanessa não pareceu ter sucesso, seguramente porque sua voz soou rouca. Zac levou a mão de Vanessa aos lábios. Ela fechou os olhos e sentiu seu fôlego cálido na pele. E então a boca de Zac posou-se sobre aquela mão suave, ternamente. Vanessa sentiu que lhe fazia um nó no estômago.
— Que está fazendo?
— Testando como sabe. Por que? — contestou ele com naturalidade, com um brilho de triunfo no olhar segurando ainda a mão contra os lábios.
— Por nada — contestou Vanessa afastando a mão, ruborizada, muito violenta para fingir que não a afetava —. Achava que estávamos de acordo em que... Em que... Éramos amigos.
— Era um gesto amistoso — contestou ele com fingida inocência.
— Ah! — exclamou ela pendurando a bolsa no ombro e se dirigindo à porta.
— Depois, não foi o gesto de um inimigo — assinalou ele.
— Não, depois não foi.
Como conservar sua longa amizade, se ele seguia fazendo dissimuladamente coisas como essa? Perguntou-se Vanessa. Zac não voltou a dizer uma palavra, mas assobiou no caminho a Chinatown.
Vanessa olhou-o várias vezes de relance. Não deixava de sorrir.
A celebração do Ano Novo chinês resultou ruidosa, irrequieta e exuberante. Quando estalou o último dos foguetes, Vanessa tinha esquecido o incidente. Caminharam até o restaurante New Xangai desde o estacionamento, e em seguida levaram-nos à mesa previamente reservada. O local era mais elegante que outros da mesma nacionalidade. Zac pediu o prato especial da casa, enguias. Vanessa preferiu verduras.
— Como pode comer isso?
— É fácil. Observa — sorriu Zac.
— Deus! Sempre foi muito atrevido com a comida. Mais que eu.
— Sim, sou mais atrevido do normal. Mamãe sempre dizia que era capaz de comer qualquer coisa.
Aquelas palavras produziram uma inesperada nostalgia em Vanessa, cujos olhos se encheram de lágrimas.
— Como tomou consciência da morte deles? Se tivessem sido meus pais, ainda estaria destroçada.
— Fomos muito felizes, toda a família — contestou ele com os olhos nublados pela tristeza —, não acho que meus pais se arrependessem de nada. Tenho saudades, e desejaria que tivessem vivido mais tempo, mas as lembranças que conservo deles são tão magníficas... O que você recorda com mais carinho?
— É fácil — contestou Vanessa compreendendo que ambos desejavam falar disso, e que uma das melhores facetas de sua relação era o fato de compartilhar tantas lembranças —, sua mãe era uma cozinheira magnífica. Lembro que sempre esperava impaciente a temporada das cerejas, todos os verões. Em quanto comprava as primeiras, punha-se a preparar tortas. Sempre me deixava ajudar, e continua sendo o que mais gosto cozinhar.
— Sim, tinha esquecido as cerejas — sorriu Zac —. A minha mãe adorava — acrescentou alongando uma mão acima da mesa para tomar a de Vanessa e entrelaçar os dedos —. Obrigado.
— De nada. Hum... E de seu pai... Lembro como me fazia dar piruetas, como me lançava ao ar e me segurava. Recordo o cheiro de seu cachimbo, quando se sentava com sua mãe no verão, enquanto nós tratávamos de caçar as faíscas que saltavam voando. Lembro-me que uma vez estava arrumando o carro e, ao terminar, com as mãos sujas de graxa, brincou conosco que era um monstro — Vanessa sacudiu a cabeça —. Eu desejava que fosse meu pai, pensava que não tinha pai melhor no mundo que o senhor Efron.
Enquanto ela falava, Zac estava rindo. Ao dizer aquelas últimas palavras, no entanto, seu rosto ficou sério.
— Dul...
— Sabe, minhas lembranças de sua família são bem mais vívidas mais alegres que as da minha. É triste.
— Sim — confirmou Zac —. Mas olha em que se converteu! Sempre me surpreendeu que a dureza de sua infância não destruísse você, que fosse tão tenaz. É outra das razões pelas que acho que devemos nos casar. Compartilhamos muitas lembranças e nós dois sabemos como fazer feliz nossos filhos, como os fazer se sentir queridos, como lhes dar a segurança de um lar.
— Tem razão — assentiu Vanessa —. Não sei de onde tirei a ideia do que é ser boa mãe, mas nós dois sabemos que não foi precisamente da minha — acrescentou amargamente, recordando como sua mãe desaparecia cada vez que sua avó lhe ameaçava com um bastão —. Eu jamais, na vida exporei meus filhos a uma coisa assim.
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
O que falar desse capítulo!? Tudo está tão maravilhoso
que se melhorar estraga neh!? Isso tudo tá tão perfeito....
Quero saber logo se ela ta mesmo gravidaa, so eu!?
Obrigada pelos comentários meninas!!!
Beijos e até qualquer hora!!

3 comentários:

  1. Amei o cap! ainda bem que eles estão assim tão bem!Também tô ansiosa pra saber se ela ta grávida. Posta mais!!

    ResponderExcluir
  2. eu tô pirando aqui com esses capítulos
    agora sim essa "relação" deles está melhorando
    quero beijos dele logo,hein
    e torcendo para a V ficar grávida
    amei o capítulo ♥♥♥
    posta mais amore,kisses

    ResponderExcluir
  3. Já percebi que vai demorar pra ela engravidar,mas do mesmo jeito estou torcendo pra que de certo,quero esses manos casados logo
    Não tem como vc postar 2 por dia?pra matar logo a ansiedade,por que olha está difícil

    ResponderExcluir