sexta-feira, 8 de maio de 2015

Capítulo 16

— Não é por aqui.
— Sim, sim é por aqui. Não deve se cansar, recorda? O médico disse que alguém deve lhe cuidar durante um tempo. James cuidará de você, quando eu não esteja.
— Não preciso que ninguém se ocupe de mim — afirmou Vanessa apertando os dentes —. Só devo ter cuidado, prefiro ir a minha casa.
— Impossível — sacudiu a cabeça Zac —. Não quero sair da cidade sabendo que está sozinha, voltar para lhe encontrar outra vez na cama incapaz de mover-se sequer. Quero ver esses dois meninos vivos, dentro de sete meses ou quando seja.
— Contratarei alguém — contestou Vanessa compreendendo uma vez mais que o único que lhe importava eram seus filhos. Zac seguiu conduzindo sem escutar sequer. Simplesmente sacudiu a cabeça —. Ainda não estou pronta para me mudar e viver contigo.
— Mas que importância pode ter uns dias, mais ou menos? Nos casaremos logo que possa estar de pé mais de cinco minutos, sem se cansar. Pretende dizer-me que não pensava se mudar para viver comigo, então?
— Mas se nem sequer tive tempo para pensar em nada! — gritou Vanessa.
Então fez-se um silêncio. Zac parou o carro num semáforo e voltou-se para ela apoiando o braço no respaldo do assento.
— Quero que viva comigo, Vanessa. Não quero que nosso casamento seja uma farsa, um simples trato. Quero minha mulher e meus filhos em minha casa — afirmou passando uma mão pelos cabelos —. Mas suponho que ainda temos que falar sobre umas quantas coisas, não? — Vanessa assentiu —. Está bem, quer, ao menos, vir a minha casa jantar e descansar um pouco? Depois, se para valer quiser ir embora, a levarei.
O argumento de Zac era tão razoável que parecia infantil se opor a ele, assim, Vanessa cedeu. Ao chegar, Zac ajudou-a a sair do carro e tomou-a nos braços antes que ela pudesse se dar conta do que fazia. Vanessa se agarrou a seus ombros.
— Vai ter uma hérnia!
— Carreguei móveis bem mais pesados que você, coraçãozinho.
— Coraçãozinho?
— É uma forma de falar — contestou Zac entrando pela porta de trás, que se abriu nesse momento.
— Estava a sua espera, Vanessa — disse James de pé, no marco da porta —. Bem vinda. Preparei-lhe uma comidinha de frango suculento, e seu quarto está pronto...
Zac sacudiu a cabeça dissimuladamente, tratando de advertir-lhe que calasse, mas Vanessa viu. James calou instantaneamente.
— Não importa James — disse ela —. Na realidade, estou bastante mais cansada do que esperava. Acho que vou descansar antes de comer. Quer levar-me diretamente ao quarto?
James deu-se a volta e guiou-os. Zac subiu as escadas respirando com dificuldade. O quarto para onde a levaram era absolutamente maravilhoso. Se tivesse sonhado com um dormitório ideal não o teria imaginado melhor. Estava cheio de detalhes femininos, de coisas bonitas.
— Pode mudar o ângulo de visão com isto — informou James assinalando dois botões e deixando o comando na mesinha. Depois acercou-se ao extremo oposto do quarto, abriu uma porta e acendeu uma luz interior —. O vestuário da senhora.
— Deus meu! Que fácil seria se acostumar a viver aqui! — exclamou Vanessa contemplando o enorme espaço.
À esquerda do closet tinha uma porta que dava para o banheiro. Em mármore rosa, com ducha, contava também com uma banheira de hidromassagem, elevada sobre dois degraus e enfeitada com uma coleção de plantas e sais de banho. Depois dela, uma janela de cristal opaco, e num dos extremos, uma televisão. Vanessa entrou no banheiro para vê-lo inteiro. Na parede contrária à banheira tinha dois lavabos. Também tinha uma cabine fechada com o serviço e um bidê. Do outro lado, a porta do dormitório de Zac.
— Meu quarto — informou Zac.
Vanessa voltou-se sem dizer uma palavra e entrou de novo no dormitório. Sentou-se na cama e ambos os homens a olharam.
— Ocorre algo?
— Acabo de compreender até que ponto é rico — contestou Vanessa olhando a Zac —. É desconcertante.
— Só porque meu banheiro é realmente espetacular? — riu Zac.
— Não, por tudo — sacudiu a cabeça Vanessa —. Era este o...?
— Sim, era o dormitório de Taylor — assentiu Zac —. Mas James voltou a decorá-lo por completo, quando lhe disse que nos casaríamos. Tapete novo, móveis novos, pintura nova...
— A pintura não é nova — assinalou James com modéstia —. Tinha medo de que cheirasse a pintura, e como não estava estragada, não a mudei. Só busquei outro papel que combinasse. Foi fácil. Hoje em dia há umas telas e uns papéis pintados incríveis. Os móveis podem ser mudados se não gosta do estilo.
— Não, é encantador — contestou Vanessa sorrindo —. De verdade, é encantador.
— Fiz o que pude — comentou James ruborizado, se indo —. Trarei a sua comida numa bandeja, assim poderá descansar toda à tarde.
Após a saída de James fez-se silêncio. O quarto parecia outro, sem o mordomo fazendo excessivo espanto. Vanessa não pôde reprimir o riso.
— É realmente... Vital.
— É muito seu — assinalou Zac —. Se lhe der um projeto, trabalha como um louco. Não tem nem ideia do quanto se divertiu decorando isto. Decorou todo seu quarto, de passagem. Pedi-lhe que viesse viver aqui, e ele aceitou. Assim terá sempre alguém em casa quando eu não estiver — continuou Zac vacilando um momento, antes de se aproximar dela —. É hora de descansar. Não para de bocejar.
— Sim, sinto-me cansada — queixou-se Vanessa —. Não compreendo.
— Tem estado doente, e está grávida — recordou-lhe Zac tomando-a pelo cotovelo, enquanto ela se deixava meter na cama docilmente. Christopher tirou-lhe as botas e cobriu-a com a colcha —. Tenho coisas a fazer. Deixa que James se dê a comida e descansa. Irei à galeria antes que fechem, pra ver se tudo vai bem.
— Obrigada — contestou Vanessa pousando a mão sobre a dele, em cima da cama.
— Fique tranquila coraçãozinho — sorriu Zac inclinando-se para beijá-la na testa.
— Alegro-me de não ter nada na mão para jogar em você — sorriu Vanessa.
Zac riu e saiu sem dizer nada.
Ao voltar a casa aquela noite James saiu à porta ao encontro de Zac.
— Ainda está dormindo. Fui vê-la a todo momento. De hora em hora. Tomou a sopa e dormiu imediatamente.
— Sim, acho que não se dá conta de quão débil está — assentiu Zac deixando uma sacola de um famoso shopping no chão enquanto James o ajudava a tirar o terno —. Irei vê-la. Por que não nos leva o jantar à mesinha pequena de meu quarto?
— Está bem, capitão.
Zac recolheu a sacola com as comprar e subiu os degraus de dois em dois. Ao chegar à porta do dormitório de Vanessa fez uma pausa. Estava encostada. E as cores da habitação surpreenderam-no por um instante. Estava acostumado ao azul alvo, que Taylor tinha escolhido. Taylor. Por um segundo ao ver àquela enfermeira, tinha passado mal.
Não se parecia tanto a Taylor, mas a primeira vista qualquer um as teria confundido. Zac estava seguro de que Vanessa não o tinha notado. No trajeto a casa tinha permanecido calada, tranquila. Provavelmente combatendo o sono. O médico tinha dito que o medicamento contra as náuseas produzia sonolência. Zac tinha passado o caminho pensando na nova vida que o esperava com Vanessa. Estava contente. Não delirantemente feliz, mas sim contente. Taylor tinha-o amado profundamente e ele, cansado de sofrer durante tantos anos almejando Vanessa, lhe tinha correspondido com carinho e doçura. Não obstante, sempre tinha conservado um pequeno rincão em seu coração, dedicado a seu antigo amor.
Esperando Vanessa. Jamais, nem num milhão de anos, teria imaginado o que ia suceder. Zac sentia-se culpado. Nunca tinha desejado a morte de Taylor, mas lhe custava esquecer que não tinha sido para ela o amante e esposo que merecia.
Zac empurrou a porta e contemplou Vanessa na cama, dormindo. Seus cabelos ruivos estavam revoltos, seu rosto em paz, seus lábios ligeiramente entreabertos. Sentou-se silenciosamente numa cadeira, aproximando-a da cama, e tomou a mão de Vanessa entre as suas. Vanessa piscou. Entre as trevas, surgiu o brilho de seus olhos. Sorriu e girou a mão para apertar a dele.
— Olá.
— Olá — respondeu Zac gozando de um instante mais doce do que nunca tinha imaginado, com medo de perder —. Acho que vou ter que lhe mudar o nome, terei que lhe chamar Bela Adormecida.
— Que hora são? Quanto tempo estou dormindo?
— Umas cinco horas. São sete e meia.
— Sete e meia! — exclamou Vanessa tratando de sentar-se e arrumar o pijama, que usava desde o hospital. Zac esperava que protestasse, que lhe ordenasse para levá-la imediatamente para sua casa, mas em lugar disso Vanessa só disse —: Pobre James, mal comi do que me trouxe.
— Não importa estou certo que lhe perdoa se jantar bem. De qualquer modo, vai trazer-lhe sopa outra vez.
— Pois amanhã já poderei comer algo mais, pode lhe advertir que seus consomes têm os dias contados.
— Seguirá conosco amanhã?
— Suponho — respondeu Vanessa depois de vacilar, mordendo o lábio. Zac não pode resistir à tentação de acariciar esse lábio. Vanessa sorriu e estremeceu —. Não sei por que me custa tanto me mudar para cá, claro que pensava em fazê-lo quando nos casássemos. É só que... Sempre me cuidei sozinha: é-me estranho que alguém cuide de mim. Faz-me sentir-me mal, não sei por que. Zac olhou-a compadecido, recordando a pequena menina que sempre se tinha valido por si mesma. Aquela falta de carinho teria acabado com qualquer um, mas para Vanessa tinha-a feito mais forte. Vanessa tinha saído vitoriosa. Não era de estranhar que lhe custasse aceitar ajuda dos demais.
— Não penso liberá-la de todas suas responsabilidades, V. Formaremos uma equipe. Por enquanto, temos que ver deforma a estar tudo bem, no mês de outubro.
Outubro. Dia dezesseis, para ser exato. Essa era a data em que esperavam os gêmeos. No entanto era muito habitual que o parto se adiantasse nas gravidezes múltiplas.
— Sim, tem razão. Aceitarei a ajuda dos demais — suspirou Vanessa profundamente —. Importa-lhe que fique na cama esta noite?
Zac respirou profundamente aliviado. Melhor não mencionar o fato de que tinha estado em seu apartamento, fazendo uma pequena mala para ela com as coisas mais necessárias. — Parece-me perfeito. Amanhã pela manhã irei a sua casa recolher algumas coisas.
Os três dias seguintes decorreram tranquilos. James informou a Zac que Vanessa dormia muito, ainda que chamasse Ashley na galeria com regularidade. Pelas noites, Zac e Vanessa falavam sobre os negócios de ambos, ou liam livros sobre natalidade. Era gratificante, mas Zac sabia que aquilo não duraria. E quando Vanessa estivesse melhor, se impacientaria. E quando chegassem os gêmeos... Nem sequer podia imaginar que ocorreria então.
Naquela sexta-feira Zac passou pela galeria, tal e como tinha prometido a Vanessa. Ashley era jovem, mas sua chefa tinha-a treinado bem. Mal tinha o que fazer, exceto autorizar alguns pagamentos e comprovar a contabilidade. Ashley tinha começado a ocupar-se das contas, inclusive.
Ao voltar para casa, James não saiu a seu encontro à porta. Zac buscou-o pela casa. Então ouviu risos. Procediam do dormitório de Vanessa. Acercou-se em silêncio e escutou a Vanessa dizer:
— Ora! Rainha. Ademais, coloquei-a num espaço que vale o triplo. Assim que são mais trinta... Vamos ver... Quinze. Marque para mim quarenta e cinco pontos, James.
— Bruxa! — riu a gargalhadas James, que sempre se tinha considerado um campeão do jogo —. Roubou. Amanhã será a revanche.
— Como quiser — contestou Vanessa alçando a cabeça ao ver entrar Christopher —. Olá, chegou cedo! Acabo de ganhar de James até as calças.
— Vantagem só por três pontos — assinalou James —. E só porque não pude me desfazer desse "K", ao final — se queixou se pondo em pé e se voltando para Zac —. Sinto, não o ouvi chegar.
— Compreendo-o, não há nada como uma garota, para perder a concentração — se encolheu de ombros Zac.
— Não seja machista! — exclamou Vanessa.
— Vê se você é capaz de fazer melhor! — exclamou James.
— Meu forte são os números, não as letras — riu Zac.
James e Vanessa guardaram o jogo, e o mordomo voltou a deixar a mesinha e a cadeira que tinha ocupado em seu lugar original.
— Será melhor que vá fazer o jantar. Deseja frango?
— Ótimo — aprovou Vanessa voltando-se para Zac, enquanto James saia —. James é muito divertido. Poderia acostumar-me ao luxo de não fazer nada todo o dia.
Não o aborreceria o fato de que Vanessa se casasse com ele porque podia manter a ela e seus filhos sem fazer nada, pensou Zac. Não tinha utilizado ele precisamente desse argumento, para convencê-la?
— Pois poderia fazê-lo, se quisesse — contestou Zac —. A mim não importa se volta a trabalhar ou não.
— Pode ser que a você não, mas a mim sim — contestou Vanessa horrorizada —. Trabalhei muito, para ficar a frente de Reily Gallery. É algo mais que um simples emprego.
Zac esteve a ponto de contestar-lhe que lhe tinha custado pouco esquecer a galeria durante aquela semana. No entanto calou. O que lhe sucedia? Preferia não pensar nisso. Conhecia a resposta. Tinha sonhado com Vanessa durante anos, até que por fim se tinha rendido. De repente esse sonho fazia-se realidade, como por arte de magia. Mas só em parte. Sonhava em consumar a parte física de sua nova relação, mas já não lhe bastava nem sequer isso. Queria que Vanessa o amasse tanto como a amava. Não só num sentido físico, senão também emocional. Queria-a inteira, em corpo e alma, com seu coração e com sua mente. Queria tudo.
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
Oi oi oi oiiiii :D
Depois ler esse mega capítulo só eu que estou sorrindo à toa
com essa felicidade de Zanessa!?
O James é mesmo um mordomo divertido neh!? 
Ainda bem que eles não brigaram por conta da enfermeira que lembrava
a falecida Taylor não é!? Mas o Zac está enganado de a Nessa não ter percebido
tanto que percebeu e ficou ressentida!!
Não vejo a hora de chegar logo o dia desse casamento!!
Obrigada pelos comentários meninas!!!
Hoje eu não poderei postar outro capítulo (por isso fiz esse mega) tenho compromisso
mas sendo assim estarei de volta amanhã, então beijões!!!!

5 comentários:

  1. Ai que bom que eles tao bem, to doida pra chegar logo o casamento!posta mais bjs bjs

    ResponderExcluir
  2. amando esses momentos Zanessa ♥♥♥
    tá super perfeita a fic amore
    posta mais,kisses

    ResponderExcluir
  3. Um minuto de silêncio pelos capítulos que eu já perdi!
    Vamos lá... quando descobri que a Vanessa estava grávida saltei de alegria. O gif da Sharpay e do Ryan.... que lindo! Mas nem olhei muito para a Sharpay, a verdade é que eu olhei para o Ryan, era o meu favorito no High School Musical :D
    No capítulo 12 ia morrendo ao saber desse mal estar da Vanessa.
    No capítulo 13, o Zac me pareceu muito insensível.
    O capítulo 14 foi perfeitinho com a ideia do casamento.
    No capítulo 15, mais uma vez, olhei mais para o Ryan no gif :D
    No capítulo 16, ri com o James. Que fofos o Zac e a Vanessa. Amei esses momentos!

    E acho que termino aqui o meu comentário!

    Posta logo.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Capitulo otimo...posta mais...quero ver eles casarem logo bjos

    ResponderExcluir